quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Quando abro os olhos tanto faz para onde minha visão está direcionada, a luz do sol percorre milhões de léguas para ferir minhas retinas. É manhã. Se esse é o sentido da vida, que seja. Tenho contas pra pagar, e um milheiro de pecados pra apagar da memória.

É dia, é fato. A luz embranquecida rasga as frestas da janela. Setas famigeradas. Acorda Jorge, acorda. Batem as portas dos meus olhos. As pálpebras resistem, são fortes casamatas. Mas tem uma hora que, exaustas, descortinam e a luz do sol me abraça.

"Essa vida só tem um sentido, pra frente, meu filho. Tem que correr porque o tempo esmaga", era o que dizia meu pai, que tinha fama de compositor.

O rádio liga sozinho, hoje despertei antes. Imagino que tocam a música do meu pai, um samba cadenciado que abençoa os mal despertados como eu. Cantam sem a pressa, sem instrumento algum. Fico à deriva assim, até que um vendedor de guarda-chuvas grita do lado de fora:

"Guarda-chuva, guarda-chuva de todo tipo. Guarda-chuva preto, guarda-chuva de flor. Guarda-chuva que guarda o sol". Bem que poderia ser o refrão de uma música de meu pai.

A música que imagino tocar na rádio finalmente acaba. Também esgota o meu prazo para ficar deitado. O tempo espreme, espreme e não tem dó de fazer um suco de quem fica cochilando embaixo dos lençóis.

3 comentários:

  1. Não beto, JORGE novamente? hehehe...(bricadeira) tá muito interessante, espero surpresas no próximo capítulo. AbraçO!

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  2. gostei dessa luz rubra: imagética - sensorial. Elaboradíssima, parabéns!

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  3. simplesmente inacreditável. fiquei de vacilo geral

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