quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Era bom que todas as prisões fossem de ventre. Era bom que todas as prisões de ventre fossem como a minha: não tem hora certa pra chegar a carta de alforria, mas quando ela chega posso relaxar na privada e pouco sofrer, relaxo e gozo. Gozo parecido deve ter aquele cara que passou mais de mil dias encarcerado.

Que bom seria se a minha pena com minha ex-mulher fosse como minha prisão de ventre.

Pronto! Desta prisão, a de ventre, pelo menos estou livre. Das outras, vou vendo.

Tomo outro banho, este menos filosófico e mais fisiológico. Culpa de minha mãe, que dizia: "uma vez cagado, sempre cagado, até banho tomado". Também desta prisão, minha mãe, estou até um dia desses, condenado.

Lá vai uma linha nova agenda.

Supermercado: sabonete, papel higiênico, refil pra o Prestorbarba, leite desnatado...

O dia está cheio e até as dez, quando os bancos abrem, sou o homem preparativos, desde quando resolvi viver de agiotagem.

A música no rádio tenta contaminar o meu pensamento com rimas, como se esse meu dia já não fosse rimado. É dia dez, tenho que tomar com juros o dinheiro que dei mês passado, sim, o que retiro com juros é a rima do que foi emprestado.

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